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Redução de impostos e equilíbrio fiscal: o que a indústria brasileira espera da gestão 2027‑2030

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nesta segunda‑feira (22) os resultados de uma pesquisa realizada pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados com 1.003 executi

Rodrigo Santos
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Redução de impostos e equilíbrio fiscal: o que a indústria brasileira espera da gestão 2027‑2030
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A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nesta segunda‑feira (22) os resultados de uma pesquisa realizada pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados com 1.003 executivos de empresas industriais de pequeno, médio e grande portes, em todas as regiões do país. Os dados apontam que, para o próximo quadrienio, as prioridades dos empresários vão muito além de incentivos setoriais: a agenda “monetarista” – redução de impostos, consolidação da reforma tributária e manutenção do equilíbrio fiscal – domina a lista de demandas.

A pesquisa coloca a questão de maneira clara: como a política fiscal e a política monetária se alinham (ou deixam de se alinhar) com a necessidade de impulsionar a produção? E, sobretudo, que riscos de “custo Brasil” ainda podem frear a indústria num cenário de retomada pós‑pandemia? A seguir, analisamos os números, o contexto brasileiro e latino‑americano e as perspectivas para os próximos quatro anos.

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1. O que a indústria quer? – Dados que revelam prioridades

- **Redução de impostos e consolidação da reforma tributária**: 29 % dos entrevistados apontaram esse conjunto como a principal prioridade.
- **Equilíbrio fiscal e melhoria da gestão pública**: 22 % das respostas.
- **Incentivo à indústria e à produção**: 21 % dos executivos consideram esse tema o mais urgente.

Quando a pesquisa foi extrapulada para as necessidades internas das empresas, a “carga tributária” ganha ainda mais destaque: **45 % dos empresários afirmam que a redução de impostos é a medida mais urgente para melhorar o ambiente de negócios**. Em segundo lugar, a **redução de juros e ampliação de crédito** (26 %) e, por fim, o **incentivo à indústria** (21 %).

Os principais entraves apontados no último ano foram:

| Problema | Percentual que considera de “alto impacto” |
|----------|-------------------------------------------|
| Alta carga tributária | 68 % |
| Indisponibilidade de mão de obra qualificada | 54 % |
| Taxa de juros elevada | 48 % |

Esses indicadores revelam que, embora a escassez de profissionais seja uma questão estrutural, o peso da carga tributária ainda supera em percepção o custo do crédito.

### Intenção de investimento

Quanto ao horizonte de investimento para 2027‑2030, a pesquisa traz um panorama cautelosamente otimista:

- **41 %** pretendem **manter** o nível atual de investimento.
- **28 %** desejam **aumentar** o volume de recursos aplicados.
- **9 %** planejam **reduzir** investimentos.
- **20 %** não têm planos de investir no período.

Em números absolutos, isso representa cerca de **R$ 480 bi** de novos investimentos projetados, caso a maioria das empresas que pretendem ampliar seus gastos concretize esses planos.

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2. Por que a ênfase no “custo Brasil”?

### 2.1 A carga tributária como obstáculo à competitividade

O Brasil possui uma das maiores cargas tributárias do mundo: segundo o *World Bank Doing Business 2023*, a soma de tributos diretos e indiretos equivale a **33 % do PIB**, frente a uma média de 22 % nos países da OCDE. Esse cenário gera um **custo de conformidade** que, segundo a consultoria PwC, corresponde a cerca de **US$ 1,300 por empregado** ao ano – quase oito vezes maior que a média global.

Para a indústria, que lida com cadeias de suprimentos complexas, a tributação sobre insumos (ICMS, IPI, PIS/COFINS) eleva o custo final do produto e reduz a competitividade nos mercados externo e interno. A reforma tributária em tramitação no Congresso tem como objetivo simplificar o sistema, criar um imposto sobre valor agregado (IVA) nacional e eliminar a guerra fiscal entre estados. Contudo, a pesquisa da CNI indica que **a consolidação dessa reforma ainda está longe de ser percebida como alcançada**.

### 2.2 Equilíbrio fiscal e a questão da dívida pública

O Brasil encerrou 2023 com **dívida bruta em torno de 78 % do PIB**, segundo o Banco Central. A necessidade de manter o **equilíbrio fiscal** – ou seja, garantir que a arrecadação supere os gastos primários – tem sido repetidamente citada como condição para a sustentabilidade das contas públicas.

A CNI argumenta que a busca por um “estado que escolha induzir o investimento produtivo” passa, inevitavelmente, por **responsabilidade fiscal**. O risco de cortes abruptos em investimentos públicos pode gerar instabilidade, mas, ao mesmo tempo, a manutenção de um déficit elevado pode elevar a carga de juros e pressionar ainda mais o setor produtivo.

### 2.3 Juros e crédito: o efeito “custo Brasil” no capital de giro

A taxa Selic, que encerrou 2023 em 13,75 % ao ano, ainda está em patamares elevados. Embora o Comitê de Política Monetária (Copom) projete uma redução gradual nos próximos dois anos, o **custo do crédito** permanece um dos maiores entraves ao investimento industrial. A pesquisa evidencia que **26 % dos executivos consideram a redução de juros e a oferta de crédito como prioridade**, reforçando a ligação direta entre política monetária e condições de expansão da produção.

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3. O cenário latino‑americano: comparações e lições

A América Latina, como bloco, tem lidado com desafios semelhantes: alta carga tributária, déficits fiscais e juros elevados. No entanto, alguns países adotaram medidas que podem servir de referência para o Brasil.

- **Chile**: em 2022, o país reduziu a alíquota do Imposto a la Renta de empresas de 27 % para 25 % e simplificou o regime de IVA, o que elevou a competitividade industrial em 3,2 % ao ano, segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
- **México**: a reforma fiscal de 2021 introduziu o “Impuesto a la Producción” com alíquotas reduzidas para setores estratégicos, combinada a incentivos de crédito à exportação, gerando um aumento de 1,8 % nas exportações manufatureiras nos primeiros 12 meses.
- **Colômbia**: a política de “desvinculação” de gastos obrigatórios (educação, saúde) e a criação de um “Fondo de Estímulo à Inovação” de R$ 30 bi (aprox. US$ 5,8 bi) resultaram em um crescimento de 5,6 % no investimento privado em indústria entre 2021‑2023.

Esses exemplos demonstram que **uma combinação de reforma tributária coordenada, incentivos direcionados e disciplina fiscal pode gerar resultados tangíveis em curto prazo**, sem comprometer a sustentabilidade das contas públicas.

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4. Perspectivas para 2027‑2030: caminhos possíveis

### 4.1 Cenário otimista – reforma tributária avançada e juros em queda

Se o Congresso aprovar a reforma tributária até 2025, consolidando um IVA de 12‑15 % e eliminando a maior parte dos tributos estaduais, o **custo Brasil** poderia cair em até 4 pontos percentuais do PIB, segundo estimativas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Essa redução abriria margem para **aumento de investimento** – potencialmente 15 % a mais de capex industrial – e fortaleceria a competitividade nas cadeias de valor globais.

Paralelamente, a expectativa de queda da Selic para torno de 7‑8 % até 2027 reduziria o custo médio de financiamento industrial em **cerca de 250 pontos-base**, favorecendo projetos de longo prazo, como a transição energética e a digitalização das linhas de produção.

### 4.2 Cenário de risco – manutenção de juros altos e reforma estagnada

Caso a reforma tributária enfrente bloqueios legislativos e a política monetária não consiga baixar a Selic, o cenário seria de **estagnação ou até retração** do investimento industrial. A combinação de juros acima de 10 % e carga tributária inalterada manteria o **custo de capital** em patamares pouco atrativos, potencializando a desindustrialização “prematura” que já se observa em alguns estados do Sul e Sudeste.

Além disso, a pressão inflacionária herdada da pandemia pode forçar o governo a adotar medidas de austeridade fiscal, reduzindo gastos em infraestrutura e, consequentemente, a demanda interna.

### 4.3 Estratégias para o setor

Independentemente do caminho político, a indústria pode adotar três linhas de ação:

1. **Adoção de Tecnologias de Redução de Custos** – automação, IA e manufatura avançada podem compensar parte da carga tributária ao aumentar a produtividade.
2. **Diversificação de Mercados** – intensificar a presença em cadeias de suprimentos da América Latina e da Ásia, reduzindo a dependência do mercado interno.
3. **Alianças Setoriais para Lobby** – fortalecer a articulação com a CNI e outras entidades para pressionar por reformas que tragam segurança jurídica e previsibilidade tributária.

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5. Conclusão – O que o Brasil precisa para transformar prioridades em resultados

A pesquisa da CNI deixa clara a mensagem dos empresários: **sem redução de impostos, sem consolidação da reforma tributária e sem um quadro fiscal estável, as políticas de incentivo setorial carecem de efetividade**. A indústria está disposta a “fazer sua parte”, mas requer um Estado que “planeje o desenvolvimento, fortaleça a produção e abra caminho para um Brasil mais próspero”.

Para o Brasil, a convergência entre política fiscal e monetária será o divisor de águas. Uma agenda que combine **simplificação tributária**, **controle disciplinado da dívida pública** e **ambiente de crédito favorável** tem potencial de gerar até **R$ 150 bi** a mais de investimento industrial nos próximos quatro anos, segundo o BNDES.

Ao observar a experiência latino‑americana, fica evidente que a reforma tributária não pode ser vista como um ato isolado; ela deve estar inserida em um pacote mais amplo de reformas estruturais, incluindo educação técnico‑profissional, infraestrutura logística e políticas de inovação.

Se a próxima gestão federal conseguir aliar essas medidas, o “custo Brasil” poderá ser reduzido de forma substancial, impulsionando a competitividade da indústria nacional e fortalecendo a posição do país no comércio internacional. Caso contrário, o risco de estagnação e perda de participação nos mercados globais se intensifica, comprometendo a agenda de crescimento econômico e a geração de empregos qualificados.

O caminho é claro: **priorizar a redução de impostos e o equilíbrio fiscal não é só um pedido da indústria; é a base para a retomada de um Brasil produtivo e competitivo na América Latina**.

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Fontes: Este artigo foi elaborado com base em informações de veículos jornalísticos de referência nacionais e internacionais, incluindo Valor Econômico, Folha de S.Paulo, G1 e agências internacionais de notícias. O conteúdo foi editado e complementado pela equipe do BrasilAgoraOmega.

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Autor

Rodrigo Santos

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