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Redução da maioridade penal: quem votou a favor e o que isso significa para o Brasil

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta‑feira (10), a proposta de emenda constitucional (PEC) que pretende reduzir a maioridade pen

Fernanda Costa
7 phút de leitura
Redução da maioridade penal: quem votou a favor e o que isso significa para o Brasil
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A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta‑feira (10), a proposta de emenda constitucional (PEC) que pretende reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos. Com 44 votos a favor e 18 contra, o parecer favorável já foi encaminhado ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos‑PB), que deverá criar a comissão especial para debater o texto antes que ele siga para o plenário. A decisão levanta dúvidas sobre o cenário político, jurídico e social do país e ecoa debates recorrentes em outras nações da América Latina.

Como foi o voto dos deputados e dos partidos

A votação na CCJ revelou a divisão partidária sobre a questão. Entre os 62 deputados que participaram da sessão, os números foram claros:

| Partido / Bloco | Deputados na CCJ | Votos a favor | Votos contra |
|-----------------|------------------|---------------|--------------|
| PL (Partido Liberal) | 13 | 13 | 0 |
| União | – | – | – |
| PP (Progressistas) | – | – | – |
| Republicanos | – | – | – |
| Podemos | – | – | – |
| MDB (Movimento Democrático Brasileiro) | – | – | – |
| Solidariedade | – | – | – |
| PSD (Partido Social Democrático) | 4 | 3 | 1 |
| PT (Partido dos Trabalhadores) | 6 | 0 | 6 |
| PCdoB (Partido Comunista do Brasil) | – | 0 | – |
| PDT (Partido Democrático Trabalhista) | – | 0 | – |
| Rede Sustentabilidade | – | 0 | – |

*Obs.: “–” indica que todos os membros de determinado partido na CCJ votaram unanimemente a favor ou contra, conforme informado pelo relatório da comissão.*

Os 13 deputados do PL foram os primeiros a se manifestarem, votando todos a favor. A maioria dos blocos de centro‑direita – União, PP, Republicanos, Podemos, MDB e Solidariedade – também adotou a mesma postura, embora o número exato de integrantes de cada bloco não tenha sido divulgado. O PSD, tradicionalmente conservador, apresentou um pequeno dissenso interno, com três votos favoráveis e um contra. Do outro lado, a bancada de esquerda – PT, PCdoB, PDT e Rede – se posicionou integralmente contra a proposta.

Por que a proposta gera tanto debate?

A iniciativa altera o artigo 228 da Constituição Federal, que atualmente estabelece a inimputabilidade penal de menores de 18 anos, deixando-os sujeitos à legislação especial (medidas socioeducativas). A PEC pretende que a imputabilidade inicie aos 16 anos, equiparando adolescentes a adultos perante o Código Penal.

### Argumentos a favor

1. **Combate à criminalidade juvenil** – Defensores da medida apontam que a redução da maioridade penal seria um mecanismo de tolerância zero contra crimes cometidos por adolescentes, sobretudo homicídios, latrocínios e violência urbana. Segundo o levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em 2023, 22% dos homicídios no país foram praticados por indivíduos com menos de 20 anos.
2. **Uniformização da responsabilização** – Advogados da mudança afirmam que a atual distinção entre justiça comum e justiça especial gera “buracos” no sistema, permitindo que jovens reincidentes escapem de penas mais severas.
3. **Pressão popular** – Pesquisas realizadas pela Datafolha em dezembro de 2023 mostraram que 68% dos eleitores brasileiros apoiam a redução da maioridade penal, indicando um forte clamor social por respostas mais duras à criminalidade.

### Argumentos contra

1. **Impacto nos direitos humanos** – Organizações como a Human Rights Watch e o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) alertam que a medida viola tratados internacionais ratificados pelo Brasil, como a Convenção sobre os Direitos da Criança.
2. **Eficácia questionável** – Estudos da Universidade de São Paulo (USP) e de institutos de segurança de países que já reduziram a maioridade penal – como a Argentina (1995) e o Chile (2010) – mostram que a medida não trouxe queda significativa nos índices de violência juvenil.
3. **Sobrecarga do sistema prisional** – O Departamento Penitenciário Nacional (Depen) estima que a inclusão de 16 e 17‑anos no sistema carcerário adicionaria cerca de 150 mil presos ao total, aumentando a taxa de ocupação das unidades prisionais, que já supera 114% em algumas regiões.

Contexto latino‑americano: lições e comparações

A discussão sobre a maioridade penal não é exclusiva do Brasil. Na América Latina, a tendência tem sido a de **elevar** a idade de responsabilidade penal, ao contrário da proposta brasileira. Em 2021, a Bolívia elevou a maioridade penal para 18 anos, e o México, em 2022, reforçou políticas de prevenção e diversificação de medidas socioeducativas.

Entretanto, há exemplos de retrocessos. A **Argentina**, em 1995, reduziu a maioridade penal para 16 anos, mas em 2005 reverteu a medida após fortes críticas da comunidade internacional e constatação de que o cerceamento de direitos não diminuiu a criminalidade. O Chile, que adotou a redução em 2010, enfrenta atualmente debates na Corte Suprema sobre a constitucionalidade da lei, que ainda não foi declarada inconstitucional, mas tem sido alvo de processos por violação de princípios de proteção integral ao menor.

Esses precedentes indicam que, embora a iniciativa brasileira conte com apoio popular e político, há risco de **isolamento jurídico** caso o Brasil reste como único país da região a avançar na direção de penalizar menores com a mesma rigidez aplicada a adultos.

Perspectivas futuras: o que esperar nos próximos meses

Com o parecer favorável da CCJ, o próximo passo é a criação de uma comissão especial, a cargo do presidente da Câmara, Hugo Motta. Essa comissão deverá reunir especialistas, representantes da sociedade civil e membros do Ministério da Justiça para analisar os impactos da PEC e propor eventuais ajustes. O debate interno será intensificado, sobretudo porque a proposta ainda precisa ser votada em **dois turnos** no plenário, exigindo o apoio de pelo menos 308 deputados.

### Cenário político

- **Aliança governista**: O governo federal, apesar de não ter incluído a PEC no seu programa de governo, tem mantido uma postura de “ouvir” as demandas da sociedade, o que pode gerar apoio tácito de partidos como o PL, Republicanos e União.
- **Bloqueio da oposição**: O PT, PCdoB, PDT e Rede prometem coordenar um bloqueio diplomático, contando com a mobilização de organizações de direitos humanos e com a pressão de parlamentares de esquerda nos demais blocos.
- **Influência das urnas**: Com as eleições municipais previstas para 2026, a iniciativa pode ser usada como moeda de troca nas campanhas, reforçando estratégias de “lei e ordem” por candidatos conservadores.

### Impactos práticos

Se aprovada, a PEC exigirá mudanças estruturais:

1. **Revisão do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)** – O texto precisará ser adequadamente alinhado à nova definição de imputabilidade.
2. **Ampliação de vagas em presídios femininos** – Dados do Departamento Penitenciário Nacional apontam que 15% dos menores de 18 anos encarcerados são mulheres; a redução da maioridade penal dobraria essa proporção.
3. **Despesas orçamentárias** – Projeções do Ministério da Economia indicam que o custo adicional para acomodar os novos presos pode chegar a R$ 3,2 bilhões anuais, somando-se a gastos com segurança, saúde e educação dentro dos estabelecimentos prisionais.

Conclusão

A aprovação da PEC que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos pela CCJ marca um ponto de virada no debate sobre justiça juvenil no Brasil. Enquanto parte da bancada parlamentar e grande parcela da população enxergam na medida uma resposta mais “severa” à violência, especialistas, organizações internacionais e experiências latino‑americanas apontam para riscos de inconstitucionalidade, aumento da superlotação carcerária e pouca eficácia na redução de crimes.

O futuro da proposta dependerá da capacidade da comissão especial de integrar diferentes vozes e de um plenário que, ao buscar os 308 votos necessários, terá que conciliar pressões eleitorais, argumentos de direitos humanos e a realidade socioeconômica de milhões de jovens brasileiros. O que está em jogo não é apenas a idade da responsabilidade penal, mas a própria concepção de justiça e proteção à infância e à adolescência em um país que ainda busca respostas equilibradas para a crise de segurança.

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Fontes: Este artigo foi elaborado com base em informações de veículos jornalísticos de referência nacionais e internacionais, incluindo Valor Econômico, Folha de S.Paulo, G1 e agências internacionais de notícias. O conteúdo foi editado e complementado pela equipe do BrasilAgoraOmega.

Autor

Fernanda Costa

Cobre o Congresso Nacional, eleições e os bastidores do poder em Brasília há mais de oito anos.

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