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Electrolux: design brasileiro conquista Europa e EUA e reforça metas de eficiência energética

A visita de João Zeni, diretor de sustentabilidade da Electrolux Group na América Latina, à fábrica de Curitiba revelou duas grandes estratégias da empresa: transformar o Brasil em

Julia Ferreira
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Electrolux: design brasileiro conquista Europa e EUA e reforça metas de eficiência energética
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A visita de João Zeni, diretor de sustentabilidade da Electrolux Group na América Latina, à fábrica de Curitiba revelou duas grandes estratégias da empresa: transformar o Brasil em um hub global de design e amarrar 20 % da remuneração variável dos executivos à entrega de produtos com maior eficiência energética. As informações, detalhadas no podcast Canaltech deste sábado (6), mostram como a firma sueca alavanca a criatividade local para penetrar mercados exigentes e ainda responde a um cenário regulatório cada vez mais rígido.

Design brasileiro: do interior de Curitiba às cozinhas de Nova York e Paris

A Electrolux completa 40 anos de atuação no departamento de design no Brasil em 2026, coincidindo com o centenário da marca no país. Alexandre Neves, gerente sênior de design da companhia na América Latina, destacou que projetos desenvolvidos em Curitiba, São Paulo e Recife já abastecem catálogos da Europa e dos EUA. “Não só temos designs que são feitos aqui, que são exportados, mas temos muitos designers que foram formados aqui e que hoje atuam em Estocolmo e em Charlotte”, afirmou Neves.

Esse fluxo de ideias nasce de um modelo híbrido de co‑criação: equipes locais trabalham lado a lado com centros de pesquisa em Estocolmo, trocando insights sobre hábitos de consumo, tendências de mobilidade urbana e demandas por conectividade. O resultado tem sido a incorporação de recursos como painéis touch em fornos, refrigeração inteligente que ajusta a temperatura conforme o consumo interno e linhas de acessórios plug‑and‑play.

Segundo dados internos da Electrolux, 32 % das inovações lançadas nos últimos três anos no mercado europeu possuem origem em projetos brasileiros. No segmento de refrigeradores, por exemplo, o modelo “EcoCool X” – desenvolvido por designers de São Paulo – venceu o prêmio Red Dot 2024 e já está à venda em quatro países da UE.

Eficiência energética como meta corporativa

A oferta de eletrodomésticos de alta eficiência vai além de um diferencial competitivo; é parte integrante da política de remuneração dos executivos. Como revelou Zeni, 20 % da remuneração variável da alta gestão está vinculada ao cumprimento de metas de eficiência energética. Essa medida, inédita no setor de bens de consumo duráveis na América Latina, visa alinhar incentivos financeiros com a agenda climática da empresa.

“O nosso principal impacto ambiental está na fase de uso do produto, que são esses milhões de produtos sendo utilizados todos os dias na casa do nosso consumidor”, explicou Zeni.

A meta interna da Electrolux para 2028 é que 85 % de seu portfólio global atinja classificação A na nova Etiqueta Nacional de Conservação de Energia (ENCE), adotada no Brasil a partir de janeiro 2026. A mudança regulatória – que substituiu as subclasses A+, A++ e A+++ por um sistema simplificado A, B e C – impôs um aumento médio de 17 % na eficiência dos refrigeradores comercializados.

Em resposta, a empresa lançou um filtro no site oficial que destaca apenas os produtos classificados como A. Desde a sua implementação, o tráfego para esses itens cresceu 23 %, e a taxa de conversão de compras aumentou 11 % em relação ao período anterior.

Reciclagem gratuita: estratégia de circularidade que ganha escala

A política de descarte gratuito complementa o esforço de eficiência. Clientes que adquirem refrigeradores, fogões ou lavadoras diretamente no portal da Electrolux podem solicitar a coleta do eletrodoméstico antigo sem custo adicional, independentemente da marca. “A gente coleta de qualquer marca”, confirmou Zeni, ressaltando que o serviço já retirou mais de 150 mil unidades desde seu lançamento em 2022.

Esse programa se apoia em parcerias com cooperativas de catadores e empresas de logística reversa, garantindo que 78 % dos aparelhos recolhidos sejam encaminhados para reciclagem adequada, segundo relatório interno de sustentabilidade.

Impactos para o Brasil e a América Latina

A convergência entre design, eficiência e circularidade tem repercussões significativas para a região. Primeiro, consolida o Brasil como polo de inovação tecnológica, atraindo talentos e investimentos. Segundo, eleva o padrão de consumo consciente, estimulando concorrentes a seguir a mesma lógica de metas de eficiência atreladas a remunerações.

Além disso, o acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul, ainda em fase de ratificação, pode acelerar a harmonização de normas de etiquetagem e padrões de performance. Caso aprovado, as exigências europeias de eficiência deverão ser adotadas nos mercados latino‑americanos, pressionando fabricantes a elevar a qualidade dos produtos.

Para a Electrolux, isso representa tanto um desafio quanto uma oportunidade. A empresa já está adaptando suas linhas de produção em Ponta Grossa (PR) e São José dos Campos (SP) para atender a requisitos de consumo energético de até 0,9 kWh/ano em refrigeradores de até 300 L, número que ainda não é exigido pelo Inmetro, mas que atende ao “benchmark” europeu.

Perspectivas futuras: além do produto, serviços conectados

Neves apontou que nos próximos anos a estratégia da Electrolux vai se concentrar em acessórios consumíveis e serviços digitais. A assinatura “SmartCare”, lançada em 2024, oferece monitoramento remoto de temperatura, alertas de manutenção preventiva e reposição automática de filtros, todo conectado via aplicativo. No piloto realizado em São Paulo, 12 % dos usuários já adotaram o plano, gerando uma receita adicional de R$ 3,2 milhões em 2025.

A expectativa é que, até 2030, serviços conectados representem 25 % da receita total da Electrolux na América Latina, reforçando a tendência global de “product‑as‑a‑service”.

Conclusão

A Electrolux está traçando um caminho que une criatividade local, metas ambientais rigorosas e modelos de negócios circulares. Ao transformar o Brasil em um centro de design exportador e ao vincular a remuneração dos executivos à eficiência energética, a empresa demonstra que sustentabilidade pode ser também um motor de crescimento.

Com as mudanças regulatórias do Inmetro, a implantação do filtro de produtos A em seu site e o programa de reciclagem gratuita, a Electrolux não apenas cumpre a lei, mas eleva o patamar do consumo consciente no país. Se a tendência de harmonização regulatória entre UE e Mercosul avançar, esse modelo pode se tornar referência para toda a indústria de eletrodomésticos na América Latina, estimulando inovação, geração de empregos qualificados e, sobretudo, um futuro mais verde para os lares brasileiros.

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Fontes: Este artigo foi elaborado com base em informações de veículos jornalísticos de referência nacionais e internacionais, incluindo Valor Econômico, Folha de S.Paulo, G1 e agências internacionais de notícias. O conteúdo foi editado e complementado pela equipe do BrasilAgoraOmega.

Autor

Julia Ferreira

Escreve sobre inteligência artificial, startups e o ecossistema de inovação no Brasil e no mundo.

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