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Tarifaço de Trump: EUA pressionam Brasil; 12 empresas pedem “capa” à nova taxa de 25%

O governo dos Estados Unidos prepara mais um golpe comercial contra o Brasil. Após a “tarifaço” de 2025, que chegou a 50% sobre produtos agrícolas e minerais, o USTR (Escritório do

Rodrigo Santos
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Tarifaço de Trump: EUA pressionam Brasil; 12 empresas pedem “capa” à nova taxa de 25%
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O governo dos Estados Unidos prepara mais um golpe comercial contra o Brasil. Após a “tarifaço” de 2025, que chegou a 50% sobre produtos agrícolas e minerais, o USTR (Escritório do Representante de Comércio dos EUA) propôs uma sobretaxa adicional de 25% a dezenas de mercadorias brasileiras, incluindo pedras semipreciosas, madeiras tropicais e até sementes para plantio. Já são 12 empresas americanas – entre elas a gigante atacadista de pedras GeoCentral – que enviaram manifestações ao órgão, argumentando que não há substitutos equivalentes fora do território brasileiro. A disputa já mobiliza desde representantes de cadeias de suprimentos até a Amcham Brasil, e pode ter reflexos profundos na balança comercial hemisférica.

A reação das empresas americanas: “Não há alternativa”

A GeoCentral, sediada em Mason (Ohio) e controlada pela holding familiar CM Paula desde 2008, comprou mais de 25% do seu portfólio de pedras naturais no Brasil – principalmente ametistas, ágatas e quartzos extraídos em Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Em carta ao USTR, o CEO George White afirmou que a empresa “não compra do Brasil por preferência, mas por necessidade”. Segundo ele, a combinação de qualidade, custo e escala que o país oferece “simplesmente não existe em nenhum outro lugar”.

White não é o único. Entre os manifestantes, destacam‑se:

* **The Fantastic Floor** (Washington) – pede exclusão de madeiras como jatobá e cumaru, essenciais para pisos de alto padrão nos EUA.
* **JKG Inc.** – alerta que o granito e o quartzo brasileiro têm “características geológicas únicas”, cuja substituição elevaria o preço final de obras.
* **Legacy Roots Housing Initiative** – argumenta que a tarifa comprometeria projetos de habitação popular, já pressionados por custos de materiais.

Em conjunto, as 12 entidades alegam que a medida aumentaria custos operacionais, reduziria a competitividade das indústrias norte‑americanas e criaria insegurança jurídica para cadeias de suprimento que dependem de insumos irreplicáveis.

Dados que dão corpo à disputa

* Em 2025, as exportações brasileiras de “pérolas e pedras preciosas ou semipreciosas, brutas ou trabalhadas” para os EUA totalizaram US$ 45,6 mi. Quando incluídas joias e produtos semiacabados, o número sobe para US$ 71,8 mi, representando cerca de 0,24% do total das exportações brasileiras ao país.
* A taxa de 25% proposta incidiria sobre aproximadamente 120 linhas de produtos da GeoCentral, cujo valor combinado supera US$ 9 mi anuais.
* Historicamente, as tarifas de 2025 chegaram a 50% sobre parte das exportações de minerais. O governo Trump retirou, em novembro daquele ano, a taxa de 40% sobre produtos agrícolas após pressão judicial e diplomática. Desde então, o governo americano tem usado o IEEPA (Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional) para aplicar tarifas “globais” de 10% – ainda em disputa nos tribunais.

Esses números revelam que, embora a fatia do comércio bilateral seja pequena em termos absolutos, os setores atingidos são estratégicos e de alto valor agregado, o que explica a mobilização intensa dos importadores norte‑americanos.

O pano de fundo bilateral: política, comércio e geopolítica

A medida surge em meio a um cenário de tensões comerciais que não se limitam a tarifas. O USTR concluiu recentemente que o Brasil “onera ou restringe” o comércio ao adotar políticas como o PIX, medidas de combate ao desmatamento ilegal e leis anticorrupção. Embora o argumento pareça técnico, ele serve como pretexto para pressionar o governo brasileiro em negociações mais amplas, inclusive sobre questões de tecnologia e investimento.

Do lado brasileiro, o Itamaraty tem duas linhas de ação: contestar a investigação do USTR com argumentos técnicos e intensificar a diplomacia em Washington. O Brasil enviou manifestações formais e planeja participar da audiência pública marcada para 6 de julho, onde representantes de empresas e associações poderão apresentar seus argumentos diretamente ao órgão americano.

Paralelamente, a presença de Luiz Inácio Lula da Silva na cúpula do G7, na França, abre espaço para um possível encontro bilateral com Donald Trump, ainda que ainda não haja data oficial. Nos bastidores, analistas apontam que o presidente brasileiro pode usar a agenda do G7 para buscar apoio de países europeus e pressionar por uma solução negociada antes da data limite de 15 de julho, quando a tarifa poderia entrar em vigor.

Impactos no Brasil e na América Latina

A imposição de uma tarifa de 25% sobre pedras semipreciosas, madeiras tropicais e outros insumos pode gerar efeitos multiplicadores:

1. **Queda nas exportações** – Mesmo que o volume negociado seja relativamente pequeno, a perda de competitividade pode levar compradores americanos a buscar fornecedores alternativos, ainda que de qualidade inferior, ou a reduzir pedidos, afetando a cadeia produtiva brasileira desde a mineração até a usinagem final.
2. **Pressão sobre empregos** – Empresas como a GeoCentral, que já relataram demissões e redução de investimentos devido a tarifas anteriores, podem ser forçadas a cortar ainda mais custos, impactando diretamente trabalhadores nas regiões mineradoras de Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
3. **Efeito “domino” na região** – Países latino‑americanos que exportam produtos semelhantes (por exemplo, madeiras de Peru ou pedras de Bolívia) podem enfrentar demandas semelhantes dos EUA, caso o modelo tarifário seja replicado em outras commodities.

Além disso, a disputa evidencia a vulnerabilidade de cadeias de suprimento que dependem de insumos de difícil substituição. Para a América Latina, o risco é duplo: perder mercado nos EUA e ver sua capacidade de influência comercial reduzida perante as grandes potências.

Perspectivas e caminhos para a negociação

Com a data de 15 de julho ainda distante, há margem para manobras diplomáticas. A Amcham Brasil já sinalizou que apresentará nova manifestação ao USTR, enfatizando a complementaridade econômica entre as duas nações e os custos sociais das tarifas. A entidade também propõe um “técnico‑bilateral” para mapear alternativas de substituição e criar medidas de mitigação que preservem a competitividade dos setores afetados.

Do lado americano, a pressão de lobby interno – como a da GeoCentral e das associações de pisos e construção – pode levar a um “softening” da proposta, especialmente se o argumento de que a tarifa “não cria empregos nos EUA” for aceito pelos legisladores.

Para o Brasil, a estratégia pode incluir:

* **Diversificação de mercados** – Intensificar a presença em terceiros mercados (Europa, Ásia) para reduzir a dependência dos EUA.
* **Incentivo à cadeia de valor local** – Investir em usinagem e design de produtos finais no próprio Brasil, elevando o valor agregado antes da exportação.
* **Ações diplomáticas coordenadas** – Utilizar a agenda do G7 e fóruns multilaterais (OMC, WTO) para contestar a medida sob o viés de práticas comerciais justas.

Em resumo, a disputa sobre a “tarifaço” de Trump não é apenas mais um entrave tarifário; trata‑se de um teste de resistência da relação comercial Brasil‑EUA e de um alerta para a América Latina sobre a necessidade de fortalecer cadeias de suprimento estratégicas. O desfecho dependerá tanto da pressão dos lobbyistas americanos quanto da capacidade diplomática de Brasília em articular soluções que evitem um retrocesso nas exportações de alto valor agregado.

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Fontes: Este artigo foi elaborado com base em informações de veículos jornalísticos de referência nacionais e internacionais, incluindo Valor Econômico, Folha de S.Paulo, G1 e agências internacionais de notícias. O conteúdo foi editado e complementado pela equipe do BrasilAgoraOmega.

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Autor

Rodrigo Santos

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