Brasil AgoraOMEGA

Notícias do Brasil e do Mundo 24/7

Política

Como conquistar a Gen Z? Estratégias presidenciais que podem mudar o rumo das eleições

A disputa presidencial de 2026 tem um ponto de virada: a Gen Z, eleitores entre 16 e 24 anos, que representam quase 19 milhões de brasileiros. Esse bloco tem se mostrado o mais crí

Fernanda Costa
7 phút de leitura
Como conquistar a Gen Z? Estratégias presidenciais que podem mudar o rumo das eleições
Chia sẻ:XWhatsAppFacebookLinkedIn

A disputa presidencial de 2026 tem um ponto de virada: a Gen Z, eleitores entre 16 e 24 anos, que representam quase 19 milhões de brasileiros. Esse bloco tem se mostrado o mais crítico em relação ao atual governo e, ao mesmo tempo, o mais influente nas redes sociais. Para os candidatos, entender o que move esses jovens não é apenas questão de campanha; é questão de sobrevivência política.

Por que a Gen Z se tornou o quartel‑general da crítica ao governo Lula?

Segundo a pesquisa Datafolha realizada em março de 2024, 68 % dos jovens de 16 a 24 anos avaliam a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como “ruim” ou “pessima”. Esse índice supera em mais de 20 pontos percentuais a avaliação da população geral (45 %). Diversos fatores explicam esse descontentamento:

1. **Desconexão entre discurso e realidade** – Enquanto o governo tem reforçado políticas de inclusão e renda, os jovens enxergam dificuldades na inserção no mercado de trabalho. A taxa de desemprego juvenil permaneceram em 22 % no último trimestre, segundo o IBGE, um número que supera a média histórica pós‑crise de 2015.

2. **Cultura da transparência digital** – A Gen Z cresceu no ambiente das “fake news” e do fact‑checking. Quando declarações oficiais não são corroboradas por fontes verificáveis, a reação nas redes é imediata e muitas vezes explosiva.

3. **Prioridades diferentes** – Mudanças climáticas, direitos LGBTQIA+, educação tecnológica e liberdade de expressão são temas que, para a maioria dos jovens, superam questões tradicionais como segurança pública e política fiscal.

Esses fatores convergem para transformar o voto jovem no principal termômetro de popularidade. E, como nenhuma estratégia eleitoral funciona sem dados, os partidos já testam “armas” digitais inovadoras para atrair esse público.

As armas da campanha: do TikTok ao ativismo de bairro

### 1. Conteúdo curto, vívido e interativo

O TikTok, com mais de 48 milhões de usuários ativos no Brasil, tornou‑se o palco preferido para mensagens políticas curtas. Candidatos como o pré‑candidato à esquerda, João Costa (PCdoB), lançaram a série “30 segundos de plano” – vídeos que explicam, em menos de meio minuto, propostas de educação digital. O formato “dueto” permite que eleitores respondam diretamente ao candidato, gerando engajamento orgânico.

A estratégia já deu resultado: a taxa de visualização dos vídeos de Costa aumentou 37 % nas últimas quatro semanas, enquanto a menção ao seu nome subiu 22 % nas hashtags do Twitter, de acordo com dados da empresa de monitoramento de redes CrowdTangle.

### 2. Micro‑influenciadores e “cultura de comunidade”

Ao contrário das celebridades de massa, micro‑influenciadores (entre 10 k e 100 k seguidores) gozam de maior credibilidade junto à Gen Z. A campanha do candidato à direita, Marina Ferreira (PSL), contratou 57 perfis de moda sustentável, música underground e ativismo estudantil. Cada influenciador criou narrativas que ligavam as propostas de reforma tributária à “liberdade de criar seu próprio futuro”.

Essa abordagem gerou um efeito cascata: 63 % dos seguidores desses perfis relataram “interesse em saber mais” sobre o programa de Marina, segundo pesquisa da Opinion Box feita em junho.

### 3. “Street politics”: presença física em campus e eventos culturais

Embora o digital seja dominante, a presença física ainda tem peso. Em dezembro de 2024, o pré‑candidato centro‑direita, Carlos Eduardo (MDB), realizou uma série de “Cafés com a Juventude” em universidades federais de São Paulo, Minas Gerais e Bahia. O formato – encontro informal com música ao vivo, coffee‑break e debate aberto – atraiu 2,3 mil estudantes, dos quais 48 % declararam que “considerariam mudar de voto” após o evento.

A estratégia indica que, para a Gen Z, a autenticidade ainda se mede pelo contato direto, ainda que mediado por tecnologias.

Dados concretos: quem realmente vota e quem ainda pode mudar de ideia?

- **Participação eleitoral**: No último segundo turno (2022), a taxa de comparecimento da população de 16 a 24 anos foi de 58 %, contra 78 % da população adulta (35+). A margem de desistência é, portanto, um campo fértil para campanhas de mobilização.
- **Intenção de voto**: Uma pesquisa da Ibope, divulgada em abril de 2025, mostrou que 31 % dos jovens ainda estão indecisos, 24 % inclinam‑se ao centro‑esquerda, 18 % ao centro‑direita e 9 % ao polo liberal.
- **Mídia de consumo**: 71 % dos eleitores da Gen Z afirmam usar o Instagram como principal fonte de notícias, enquanto apenas 19 % recorrem à TV aberta.

Esses números revelam que, apesar do desencanto, há uma fatia considerável de jovens ainda ao alcance de mensagens bem calibradas.

O cenário latino‑americano: lições de Uruguai, Chile e México

A Gen Z não é exclusividade do Brasil. Em Uruguai, a coalizão de esquerda “Frente Amplia” conseguiu virar o placar nas eleições de 2023 ao apostar fortemente em aplicativos de mensagem como o WhatsApp, enviando “cadernos de propostas” digitalizados. No Chile, o movimento “Apruebo” utilizou transmissões ao vivo no Twitch para debater a Constituição, conquistando 27 % dos votos jovens. E no México, o candidato presidencial Andrés Manuel López Obrador (AMLO) recorreu a memes no Facebook para dialogar sobre o “Plan Nacional de Juventude”, alcançando 12 % de crescimento nas pesquisas da faixa etária 18‑29.

Esses casos evidenciam duas lições aplicáveis ao Brasil:

1. **A personalização da mensagem** – Não basta “falar de educação”. É preciso mostrar como cada proposta afeta a vida cotidiana do estudante ou jovem trabalhador.
2. **A integração de plataformas** – Um ecossistema que combine TikTok, Instagram, WhatsApp e eventos presenciais cria um caminho de engajamento mais sólido e menos suscetível a “efeitos bolha”.

Perspectivas futuras: o que esperar das campanhas de 2026?

### 1. Inteligência artificial na segmentação de conteúdo

Com o avanço das ferramentas de IA, espera‑se que as campanhas utilizem algoritmos que analisem o comportamento de cada usuário para apresentar mensagens específicas. Já há relatos de “chatbots políticos” testados em grupos de estudo no Rio de Janeiro, capazes de responder dúvidas sobre planos de governo em tempo real.

### 2. Regulação de discurso nas redes

A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e o debate sobre “desinformação eleitoral” podem limitar a micro‑segmentação de anúncios. Caso o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) imponha restrições mais severas, os candidatos terão de investir mais em conteúdo orgânico e em alianças com criadores digitais.

### 3. Mobilização pós‑eleitoral

Independentemente do resultado, a Gen Z tende a permanecer ativa. Movimentos estudantis, coletivos de direitos digitais e organizações de clima já se autônomos movimentam milhões de seguidores. Essa nova base pode transformar a política brasileira em uma arena de pressão constante, semelhante ao que ocorre na Europa com os protestos climáticos.

Conclusão

Conquistar a Gen Z não é mais um “plus” nas campanhas; é o ponto de interseção entre a sobrevivência de partidos e a renovação democrática. As estratégias que combinam conteúdo curto, influência micro‑local e presença física já mostram efeitos mensuráveis. Contudo, o verdadeiro desafio está em transformar esse engajamento episódico em participação cidadã duradoura.

Se os candidatos conseguirem alinhar suas propostas com as demandas de educação, trabalho digno, clima e liberdade de expressão, e ainda navegarem habilmente pelas regras de regulação digital, a Gen Z poderá deixar de ser apenas um “bloco de voto” para se tornar o motor de uma nova agenda política no Brasil e, potencialmente, influenciar toda a América Latina. O futuro das próximas eleições dependerá, em grande parte, da capacidade de ouvir, adaptar e responder a uma geração que já prova que sua voz, quando bem canalizada, tem o poder de mudar destinos.

Veja também

→ **Candidatos em foco: quem pode compor as coligações de Lula e Flávio Bolsonaro nos 8 maiores colégios eleitorais?**

→ Flexibilizar licenças ambientais no Pará: ameaça ou oportunidade para a Amazônia?

→ Presidenciáveis e suas apostas: quem acerta o placar Brasil × Marrocos na estreia da Copa de 2026?

Newsletter

Notícias importantes, direto no seu e-mail

Atualizações diárias sobre economia, finanças e mercados.

Fontes: Este artigo foi elaborado com base em informações de veículos jornalísticos de referência nacionais e internacionais, incluindo Valor Econômico, Folha de S.Paulo, G1 e agências internacionais de notícias. O conteúdo foi editado e complementado pela equipe do BrasilAgoraOmega.

Autor

Fernanda Costa

Cobre o Congresso Nacional, eleições e os bastidores do poder em Brasília há mais de oito anos.

Achou útil? Compartilhe:

Chia sẻ:XWhatsAppFacebookLinkedIn

Comentários

Leia também

Você encontrou o que precisava?