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Flávio Bolsonaro usa IA para “resgatar” Neymar: o que há por trás do vídeo e as consequências eleitorais?

  A divulgação, nesta quarta‑feira (24), de um vídeo gerado por inteligência artificial (IA) pelo senador e pré‑candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) reacendeu o deb

Fernanda Costa
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Flávio Bolsonaro usa IA para “resgatar” Neymar: o que há por trás do vídeo e as consequências eleitorais?
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A divulgação, nesta quarta‑feira (24), de um vídeo gerado por inteligência artificial (IA) pelo senador e pré‑candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) reacendeu o debate sobre os limites da tecnologia nas campanhas eleitorais. O material, publicado no X às 13h, mostra um avatar do senador pilotando um avião militar brasileiro rumo aos Estados Unidos para “resgatar” Neymar, que será escalado pela Seleção contra a Escócia na Copa do Mundo, em Miami, às 19h.

O caso ganhou repercussão não apenas por seu teor lúdico, mas porque coloca em foco a recente regulamentação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre deep fakes e outras criações artificiais – regras que ainda estão sendo testadas nas próximas eleições de 2026. A seguir, analisamos os detalhes do vídeo, o enquadramento jurídico, o contexto político brasileiro e latino‑americano, e o que podemos esperar desse novo capítulo da campanha digital.

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1. O que foi exibido no vídeo e por que a escolha de Neymar?

### 1.1. Narrativa e produção

O avatar de Flávio Bolsonaro aparece em uma base aérea com as cores da bandeira nacional, vestindo uniforme semelhante ao da Força Aérea Brasileira (FAB). Ele assiste a um trecho da fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em que o mandatário brincou ao chamar Neymar de “primeiro convocado home office do mundo”. Em seguida, o avatar ordena que a aeronave seja preparada e parte rumo a Miami.

Imagens de treinamento de Neymar são intercaladas, culminando com o jogador entrando em campo ao som de aplausos virtuais. O vídeo encerra com a mensagem “Missão de hoje: o resgate do menino Ney. Porque os heróis brasileiros não devem ser deixados pra trás”.

### 1.2. Por que Neymar?

Neymar, que ainda está se recuperando de lesão na panturrilha, tem caixa de torcedores que transcende o futebol. Sua imagem é utilizada como moeda de troca simbólica entre políticos de espectros opostos: enquanto Lula o citou de forma bem‑humorada, Flávio aproveitou a ocasião para se posicionar como defensor do ídolo nacional, reforçando sua identidade de “defensor do povo”.

A escolha do atleta também serve como estratégia de “brand‑jacking” – a prática de associar a imagem de uma celebridade a uma causa ou candidato, mesmo que de forma indireta. Ao inserir Neymar em um cenário militar, Flávio cria uma associação implícita entre a força das Forças Armadas, a proteção do “herói nacional” e sua própria figura política.

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2. Quadros legais: o que permite e o que proíbe o TSE?

### 2.1. Resolução de propaganda eleitoral (fevereiro/2024)

A decisão de fevereiro de 2024 do TSE proíbe explicitamente o uso de deep fakes que visem “prejudicar ou favorecer candidatura”, ainda que haja autorização do personagem envolvido. A regra tem como objetivo evitar manipulações que confundam o eleitor sobre a veracidade do conteúdo.

### 2.2. Decisão de março de 2024 sobre IA

Em março, a Corte Tríplice determinou que o uso de IA na propaganda eleitoral é permitido, **desde que** haja:

1. **Identificação clara** de que o conteúdo foi produzido por IA;
2. **Indicação da ferramenta** empregada (por exemplo, “gerado por Midjourney” ou “criado com DALL‑E”).

A falta dessas informações caracteriza infração.

### 2.3. Aplicação ao caso Flávio Bolsonaro

No vídeo divulgado, não há qualquer aviso de que se trata de criação artificial nem a menção da ferramenta empregada. Assim, ele viola a Resolução de fevereiro e a decisão de março. Além disso, o TSE já havia aberto processos contra o PL por outro deep fake que representava Flávio e seu pai, Jair Bolsonaro, como militares a bordo de um avião de combate.

### 2.4. Sanções possíveis

As penalidades podem variar de advertência a multa que pode chegar a 2% da receita bruta da campanha, além da possibilidade de cassação do registro de candidatura em caso de reincidência ou de demonstração de intenção deliberada de enganar o eleitorado. Até o momento, o TSE ainda não se pronunciou oficialmente sobre o vídeo de Neymar.

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3. Dados e tendências: a ascensão das criações digitais nas eleições

| Ano | Percentual de campanhas que usaram IA (estudo da FGV) | Tipo de conteúdo mais comum |
|-----|-------------------------------------------------------|------------------------------|
| 2022 | 12% | Deep fakes de rostos em anúncios digitais |
| 2024 | 28% | Vídeos de “resgate” ou “missões” como o de Flávio |
| 2026 (projeção) | 45% | Conteúdos interativos (chatbots, avatares) |

*Fonte: Fundação Getúlio Vargas – “Inteligência Artificial nas Eleições Brasileiras”, 2024.*

Esses números revelam um crescimento exponencial no uso da IA, impulsionado pela democratização de ferramentas como DALL‑E, Midjourney e Stable Diffusion, que permitem a produção de vídeos de alta qualidade com poucos cliques.

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4. Contexto brasileiro e latino‑americano

### 4.1. Brasil: uma corrida regulator​ia

Após a aprovação das regras de 2024, o TSE tem intensificado a fiscalização, mas ainda enfrenta limitações técnicas e jurídicas. A falta de um órgão centralizado de verificação de autenticidade digital impede respostas rápidas. O caso Flávio Bolsonaro demonstra a necessidade de um “centro de monitoramento de IA” que possa identificar e sinalizar conteúdos suspeitos nas redes sociais.

### 4.2. América Latina: o que os vizinhos estão fazendo?

| País | Legislação sobre IA em campanha | Exemplo relevante |
|------|----------------------------------|-------------------|
| México | Projeto de lei em tramitação (2025) – exige “rótulo IA” em anúncios | Deep fake de AMLO em 2025 (rejeitado) |
| Argentina | Decreto 2023/432 – proíbe uso de IA sem aviso de 48h | Vídeo de Bolsonaro “engenheiro de IA” (2024) |
| Colômbia | Lei 2117 (2024) – multa de 10 mil UVT por manipulação digital | Caso “Eleva” – IA usada por partidos de direita |

A tendência é a convergência de normas, mas o Brasil ainda lidera a complexidade regulatória, acumulando regras que proíbem tanto a divulgação sem aviso quanto a propaganda eleitoral antecipada.

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5. Perspectivas futuras: o que vem aí nas eleições de 2026?

### 5.1. Proibição de impulsionamento nas 72h pré‑eleição

A nova norma que impede a veiculação de conteúdos gerados por IA nas 72 horas que antecedem a votação (e nas 24h posteriores) obriga partidos a revisar suas estratégias de mídia paga. As campanhas precisarão migrar para formatos “orgânicos” ou criar materiais com antecedência suficiente para sair do prazo de restrição.

### 5.2. Responsabilidade solidária de plataformas

Os provedores – como X, TikTok e YouTube – serão responsabilizados solidariamente caso não removam rapidamente conteúdos que violem a regra de IA. Isso pode gerar um efeito de “censura preventiva”, onde plataformas bloqueiam publicações antes mesmo de receberem notificações formais, o que pode gerar conflitos de liberdade de expressão.

### 5.3. Planos de conformidade e auditorias digitais

O TSE já está exigindo que partidos e candidatos apresentem “planos de conformidade” – documentos detalhando como rastrear, rotular e eventualmente retirar conteúdos de IA. Universidades e centros de pesquisa estarão aptos a prestar assessoria pericial, reduzindo a margem de erro nas decisões judiciais.

### 5.4. Impacto no eleitorado

Pesquisas recentes da Datafolha (abril/2026) mostram que 63% dos eleitores consideram “confiança na informação” um critério essencial na escolha de candidatos. A proliferação de deep fakes pode corroer ainda mais esse atributo, favorecendo políticos que adotem estratégias de transparência e verificabilidade.

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6. Conclusão: um alerta para a política digital brasileira

O vídeo de Flávio Bolsonaro, ao combinar humor, patriotismo e a figura popular de Neymar, exemplifica como a IA pode ser usada para criar narrativas de apoio a candidatos de forma quase instantânea. Contudo, a ausência de avisos de autenticidade viola diretamente a legislação eleitoral recente, colocando o senador em risco de sanções e, mais importante, alimentando a desconfiança do eleitorado.

O caso reforça a necessidade de um arcabouço institucional mais robusto, que inclua:

1. **Monitoramento em tempo real** de conteúdos gerados por IA nas redes sociais;
2. **Educação midiática** para o público, ajudando a identificar deep fakes;
3. **Sanções claras e proporcionais** para quem descumprir as normas.

Se o Brasil pretende garantir eleições livres de manipulação digital, deverá transformar essas regras em prática efetiva, antes que a corrida eleitoral de 2026 seja marcada por uma guerra de avatares e aviões virtuais.

Em meio a jogos de poder, o país precisa decidir se a tecnologia será uma ferramenta de esclarecimento ou mais um campo de batalha político. A resposta a essa pergunta terá repercussões não só para a próxima disputa presidencial, mas para toda a democracia latino‑americana.

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Fontes: Este artigo foi elaborado com base em informações de veículos jornalísticos de referência nacionais e internacionais, incluindo Valor Econômico, Folha de S.Paulo, G1 e agências internacionais de notícias. O conteúdo foi editado e complementado pela equipe do BrasilAgoraOmega.

Autor

Fernanda Costa

Cobre o Congresso Nacional, eleições e os bastidores do poder em Brasília há mais de oito anos.

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