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Assistentes de IA já competem com o Google nas buscas: 40% dos brasileiros ainda preferem o tradicional, mas 75% já usaram IA

A corrida pela primazia nas buscas online está longe de ser monopólio do Google. Um novo levantamento do “Super Panorama”, elaborado pela Mobile Time em parceria com a Opinion Box,

Julia Ferreira
6 phút de leitura
Assistentes de IA já competem com o Google nas buscas: 40% dos brasileiros ainda preferem o tradicional, mas 75% já usaram IA
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A corrida pela primazia nas buscas online está longe de ser monopólio do Google. Um novo levantamento do “Super Panorama”, elaborado pela Mobile Time em parceria com a Opinion Box, revela que, embora a busca tradicional ainda domine, assistentes de inteligência artificial – como ChatGPT, Gemini e Meta AI – já estão entrando firmemente na rotina de pesquisa dos brasileiros. O estudo traz números que podem mudar a estratégia de anunciantes, desenvolvedores de apps e até de políticas públicas de tecnologia na América Latina.

A abertura: o duelo entre buscadores tradicionais e IA

A internet brasileira tem, historicamente, o Google como rei indiscutível. Contudo, a pesquisa mostra que quase **40% dos usuários de smartphones ainda recorrem apenas a buscadores convencionais** (Google e Bing) para encontrar informações. Por outro lado, **um em cada quatro entrevistados admite usar buscadores e IA na mesma medida**, enquanto **apenas 2,2% confiam exclusivamente em chatbots** para suas pesquisas.

Esses números indicam que a adoção da IA ainda não substituiu o motor de busca tradicional, mas está criando um cenário híbrido: o usuário recorre ao que for mais rápido, preciso ou familiar em cada situação. Essa dualidade pode transformar a forma como o conteúdo é otimizado para SEO, exigindo estratégias que atendam tanto ao algoritmo de rankeamento de busca quanto aos modelos de linguagem que respondem a perguntas de forma conversacional.

Dados concretos: quem usa, quando e onde

### Penetração dos assistentes de IA

- **75% dos entrevistados** afirmaram ter usado algum assistente de IA generativa nos últimos 12 meses.
- Apenas **18,7%** desses usuários acessam esses apps diariamente; a maioria faz uso mais esporádico, “uma ou duas vezes por semana”.
- O **celular** é a porta de entrada favorita, citado por **cerca de 70%** dos usuários, superando o computador (25%) e tablets/autocolantes inteligentes (mais de 3%).

### Ranking das plataformas de IA

| Plataforma | % de usuários que a utilizaram |
|------------|--------------------------------|
| ChatGPT | 79,7% |
| Gemini | 54,5% |
| Meta AI | 34,8% |
| Microsoft Copilot | 16,3% |
| Perplexity | 7,7% |
| Grok | 7,5% |
| Claude | 7,2% |
| DeepSeek | 7,0% |
| Outros | 1,0% |

A primazia do ChatGPT é clara, mas a presença do Gemini (Google) e da Meta AI indica que o mercado está se diversificando. Essa pluralidade pode dificultar a consolidação de um único “guardião” de respostas, favorecendo a competição por qualidade, privacidade e integração com outros serviços.

### Confiança nas respostas

A pesquisa mediu a confiança nas respostas de IA numa escala de 0 a 10, resultando em **nota média de 7,4**. Além disso, **mais de 70%** dos usuários de assistentes afirmam que delegariam tarefas de busca a essas plataformas, um indicativo de que a percepção de confiabilidade está em ascensão.

O panorama brasileiro e latino-americano

O estudo, que entrevistou **4,165 brasileiros** com 16 anos ou mais entre 4 e 24 de março de 2026 (margem de erro de 1,5%), reflete tendências que já vêm se desenrolando em toda a América Latina. Em países como México, Colômbia e Chile, o uso de IA generativa tem apresentado crescimento de 30% a 45% ao ano, impulsionado por:

1. **Adoção massiva de smartphones** – a penetração de dispositivos móveis supera 80% nas classes médias, facilitando o acesso a apps de IA.
2. **Melhorias de conectividade 5G** – redes mais rápidas permitem interações em tempo real com modelos de linguagem, reduzindo a latência percebida.
3. **Investimentos de gigantes de tecnologia** – Google, Meta e Microsoft têm expandido datacenters regionais, oferecendo serviços de IA com menor custo e maior conformidade local.

No Brasil, o “Super Panorama” também destaca que **WhatsApp e Instagram seguem dominando a tela inicial**, com 64,8% e 52,8% de presença, respectivamente. Essa centralidade dos apps da Meta cria um ecossistema propício à integração de assistentes de IA – já que tanto o Gemini quanto o Meta AI podem ser acessados diretamente por meio de mensagens.

Perspectivas futuras: o que vem por aí?

### 1. Convergência entre busca e IA

É provável que os buscadores tradicionais incorporem cada vez mais funcionalidades de IA. O Google já lançou o “Modo IA” e, apesar das críticas, tem investido pesado em “search‑plus‑answer”. Se a confiança dos usuários continua a subir, os motores de busca podem virar apenas “portas de entrada”, delegando a resposta final a modelos conversacionais que agregam contexto, histórico e personalização.

### 2. Mudança nas estratégias de marketing digital

Para anunciantes, a ascensão da IA significa que o **SEO tradicional** precisará evoluir para o **“Answer Engine Optimization” (AEO)** – otimização para que as respostas geradas por IA sejam precisas e tragam a fonte ao topo das recomendações. Conteúdos estruturados, uso de schema.org e dados ricos ganharão ainda mais relevância.

### 3. Regulação e privacidade

Com a expansão de assistentes que coletam dados de conversas, a discussão sobre privacidade se intensifica. No Brasil, a LGPD já impõe limites, mas a falta de normas específicas para IA pode gerar lacunas. Países latino‑americanos estão avaliando legislações que obriguem transparência nos algoritmos de geração de texto, o que pode impactar o ritmo de adoção.

### 4. Democratização do acesso

A queda de aplicativos de mensagem como Telegram (de 69% em 2024 para 53,4% em 2026) e Signal (de 23,4% para 9,4%) indica que o **WhatsApp consolida sua posição como “central de informação**”. Integrar IA diretamente ao WhatsApp – como já acontece em testes de assistentes de negócios – pode acelerar ainda mais o uso de IA no cotidiano, sobretudo em regiões onde o smartphone é o único acesso à internet.

Conclusão

O estudo da Mobile Time/Opinion Box deixa claro que o cenário de busca no Brasil está em transição. Enquanto **40% ainda dependem exclusivamente de buscadores tradicionais**, **75% já experimentaram IA** e **70% confiam nas respostas desses sistemas**. O desafio para empresas, desenvolvedores e reguladores será equilibrar a inovação com a confiabilidade e a privacidade, em um mercado onde a linha entre “buscar” e “conversar” está cada vez mais tênue.

Acompanhe o ritmo dessa mudança, pois a forma como os brasileiros encontrarão respostas nos próximos anos pode redefinir não apenas o Google, mas todo o ecossistema digital da América Latina.

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Fontes: Este artigo foi elaborado com base em informações de veículos jornalísticos de referência nacionais e internacionais, incluindo Valor Econômico, Folha de S.Paulo, G1 e agências internacionais de notícias. O conteúdo foi editado e complementado pela equipe do BrasilAgoraOmega.

Autor

Julia Ferreira

Escreve sobre inteligência artificial, startups e o ecossistema de inovação no Brasil e no mundo.

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