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Chrome retira Manifest V2: Por que milhões de usuários já estão migrando para outros navegadores

A decisão do Google de encerrar o suporte ao Manifest V2 no Chrome a partir da versão 150, programada para 30 de junho 2026, está gerando um êxodo silencioso, mas rápido, de usuári

Julia Ferreira
6 phút de leitura
Chrome retira Manifest V2: Por que milhões de usuários já estão migrando para outros navegadores
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A decisão do Google de encerrar o suporte ao Manifest V2 no Chrome a partir da versão 150, programada para 30 de junho 2026, está gerando um êxodo silencioso, mas rápido, de usuários que dependem de extensões de bloqueio de anúncios como o uBlock Origin. A mudança — que culminará com a remoção total dos componentes legados já na versão 151 — tem repercussões que vão além da simples perda de funcionalidades: ela ameaça a privacidade digital, a experiência de navegação livre de anúncios e até a segurança contra malwares publicitários.

O que é o Manifest V2 e por que sua extinção causa alvoroço?

O Manifest V2 é a especificação que, desde 2012, definiu como as extensões do Chrome podem interagir com o navegador e com as páginas que os usuários visitam. Ele concedia às extensões acesso amplo ao tráfego de rede, permitindo que bloqueadores de anúncios interceptassem, filtrassem e modificassem requisições em tempo real.

A partir de 30 de junho 2026, o Chrome 150 passará a desativar esse suporte, e o Chrome 151 eliminará quaisquer “backdoors” que ainda permitam restaurar o padrão antigo por meio de flags ou políticas corporativas. A única alternativa oficial será o Manifest V3, desenvolvido sob o argumento de melhorar segurança, privacidade e desempenho.

Entretanto, o Manifest V3 restringe drasticamente o escopo das APIs disponíveis às extensões. Em vez de interceptar requisições livremente, elas devem declarar regras estáticas de filtragem, o que reduz a capacidade de bloquear anúncios dinâmicos, rastreadores de terceiro e scripts maliciosos. O criador do uBlock Origin, Raymond Hill, já adiantou que a versão “Lite” compatível com MV3 não conseguirá reproduzir a eficácia da original, comprometendo milhões de usuários que confiam na extensão para navegar sem interrupções.

Dados que revelam o impacto imediato

| Métrica | Valor | Fonte |
|---|---|---|
| Participação de mercado do Chrome no desktop (global) | 65 % | StatCounter, 2025 |
| Usuários do uBlock Origin no Chrome (2024) | 45 milhões | Chrome Web Store |
| Redução estimada de bloqueio de anúncios com MV3 (estudos independentes) | 30 % a 50 % | Compare‑Chrome, 2025 |
| Incidentes de extensões sequestradas (ex.: Save Image As Type) | +12 % em 2023‑2024 | Google Play Protect |

Esses números mostram que, se a transição for feita sem alternativa viável, até 22 milhões de usuários podem perder a proteção contra anúncios invasivos e, potencialmente, contra malware distribuído por redes de anúncios (malvertising).

Por que o Brasil e a América Latina são os mais vulneráveis

A região tem um dos maiores índices de consumo de conteúdo via dispositivos móveis (78 % dos acessos à internet em 2024) e, ao mesmo tempo, apresenta a menor taxa de uso de extensões de bloqueio no Chrome em comparação com a Europa (dados da GlobalWebIndex). Muitos usuários brasileiros dependem exclusivamente do uBlock Origin para bloquear pop‑ups, auto‑play de vídeos e, sobretudo, anúncios que consomem dados em planos de celular limitados.

Além disso, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) tem registrado um aumento de 18 % nas reclamações de consumo inesperado de dados associados a “publicidade em segundo plano”. Sem um bloqueador eficaz, usuários de planos pré‑pago — que representam cerca de 35 % da base de internet no Brasil — podem ver seus custos aumentarem significativamente.

Outro ponto crítico: a Agência de Segurança Cibernética e Infraestrutura dos EUA (CISA) recomenda o uso de bloqueadores de anúncios como camada adicional de defesa contra malwares. No cenário latino‑americano, onde a conscientização sobre ameaças digitais ainda está em desenvolvimento, a remoção de ferramentas robustas pode ampliar a superfície de ataque.

Alternativas e caminhos que os usuários estão trilhando

### 1. Migrar para navegadores que ainda suportam MV2

- **Firefox**: mantém compatibilidade total com MV2 até 2027, permitindo a instalação do uBlock Origin sem restrições. No Brasil, o Firefox detém cerca de 5 % de participação, mas tem visto um crescimento de 12 % nos últimos seis meses, impulsionado pelas discussões sobre o Chrome.
- **Edge (modo Chromium)**: embora também migre para MV3, oferece políticas corporativas que permitem extensões legacy em ambientes controlados, sendo uma opção para empresas que ainda dependem de ferramentas específicas.

### 2. Navegadores com bloqueio nativo

- **Brave**: baseado no Chromium, inclui bloqueio de anúncios e rastreadores integrado ao motor, dispensando extensões. O Brave registrou um aumento de 30 % no tráfego latino‑americano em 2024, graças à política “privacy‑first”.
- **Vivaldi** e **Opera**: também oferecem recursos avançados de bloqueio, embora ainda dependam de extensões para filtragem granular.

### 3. Soluções externas ao navegador

- **DNS‑based ad‑blocking** (ex.: Pi‑hole) e **VPNs com filtros** têm ganhado adeptos, principalmente entre usuários que buscam proteção em todos os dispositivos, inclusive smartphones Android e iOS, onde extensões são limitadas.

Perspectivas futuras: o que esperar do ecossistema de extensões?

1. **Pressão regulatória** – Autoridades brasileiras, como a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD), já manifestaram interesse em garantir que mudanças técnicas não prejudiquem a privacidade do usuário. Projetos de lei em tramitação podem exigir que navegadores mantenham suporte a mecanismos de bloqueio eficazes.

2. **Inovação de extensões MV3** – Algumas startups estão desenvolvendo “service‑worker filters” capazes de contornar parte das limitações do MV3, mas ainda enfrentam restrições de performance e aprovação na Chrome Web Store.

3. **Consolidação de navegadores focados em privacidade** – O crescimento de navegadores como Brave e o lançamento de versões “Lite” de browsers corporativos indicam que o mercado pode se fragmentar, reduzindo o monopólio do Chrome.

4. **Impacto econômico** – Se a perda de bloqueadores resultar em maior exposição a anúncios, o aumento do CPM (custo por mil impressões) pode beneficiar o Google, mas também sobrecarregar usuários com anúncios intrusivos, potencialmente reduzindo a confiança no ecossistema digital.

Conclusão

A retirada do Manifest V2 pelo Chrome representa mais que uma mudança técnica; ela redefine a forma como os brasileiros e latino‑americanos protegem suas sessões de navegação. Enquanto o Google sustenta que a medida aumenta segurança e desempenho, a comunidade de desenvolvedores e usuários vê na restrição das extensões um retrocesso em privacidade e combate ao malware.

A resposta já está se desenhando: migração para navegadores alternativos, adoção de bloqueio nativo e soluções externas. Para quem ainda não decidiu, a recomendação é testar o Firefox ou o Brave ainda nesta semana, especialmente se depender de bloqueadores como o uBlock Origin para economizar dados e evitar anúncios maliciosos.

O debate está longe de terminar, mas uma coisa é certa: a escolha do navegador continuará sendo um dos principais vetores de defesa digital no Brasil e na América Latina nos próximos anos.

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Fontes: Este artigo foi elaborado com base em informações de veículos jornalísticos de referência nacionais e internacionais, incluindo Valor Econômico, Folha de S.Paulo, G1 e agências internacionais de notícias. O conteúdo foi editado e complementado pela equipe do BrasilAgoraOmega.

Autor

Julia Ferreira

Escreve sobre inteligência artificial, startups e o ecossistema de inovação no Brasil e no mundo.

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