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Alibaba processa EUA por “acusação militar”: entenda o que está em jogo

O gigante chinês Alibaba entrou com ação judicial contra o governo dos Estados Unidos nesta terça‑feira (23) após ser incluído em uma lista do Departamento de Defesa que aponta emp

Marcos Oliveira
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Alibaba processa EUA por “acusação militar”: entenda o que está em jogo
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O gigante chinês Alibaba entrou com ação judicial contra o governo dos Estados Unidos nesta terça‑feira (23) após ser incluído em uma lista do Departamento de Defesa que aponta empresas chinesas como “ligadas” às Forças Armadas de Pequim. A medida, que já coloca em risco bilhões de dólares em negócios com a América, pode desencadear uma nova fase de tensões comerciais e tecnológicas entre as duas maiores economias do planeta.

Por que o Alibaba foi apontado como “empresa militar”

Em 8 de junho, o Pentágono ampliou a chamada “Lista de Empresas Militares Estrangeiras” (Entity List) de 135 para 188 entidades chinesas. Entre elas, o Alibaba, a Baidu, as montadoras BYD e Nio, e a biotech WuXi AppTec. O critério usado pelos EUA parte da chamada “fusão militar‑civil”, conceito que permite ao Exército americano barrar compras de bens e serviços de empresas que, supostamente, contribuam para a capacidade de defesa de países considerados rivais estratégicos.

Segundo o Departamento de Defesa, o Alibaba seria um “contribuinte de fusão militar‑civil para a base industrial de defesa chinesa” devido a laços – ainda que indiretos – com o Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação (MIIT) e a SASAC (State-owned Assets Supervision and Administration Commission), órgão que supervisiona as maiores empresas estatais da China.

O Alibaba, porém, rebate a acusação com veemência. Em comunicado divulgado em seu site institucional, a companhia afirma que “as determinações não têm fundamento em fatos ou na lei” e que seu conselho de administração é totalmente independente, sem nenhum membro com vínculo militar. “Nossos produtos e serviços são voltados para varejo, logística e tecnologia da informação empresarial — não para armas, defesa ou inteligência”, afirma o grupo.

O que está em jogo: números e consequências imediatas

A inclusão na lista tem repercussões práticas imediatas. Uma lei aprovada pelo Congresso dos EUA em 2022 – a **National Defense Authorization Act** – impede o Pentágono de contratar empresas listadas a partir de julho de 2023. Em 2027, a restrição se estenderá a toda a cadeia de suprimentos, incluindo aquisições por meio de terceiros.

Para o Alibaba, cujas receitas em 2023 ultrapassaram US$ 125 bilhões, isso representa uma ameaça direta a uma fatia importante de seu negócio internacional. Segundo dados da própria companhia, cerca de **30%** das transações de sua plataforma de pagamento Alipay envolvem empresas norte‑americanas, variando de startups de tecnologia a grandes varejistas. Se a proibição for mantida, o Alibaba pode perder até **US$ 5 bilhões** em receitas anuais, sem contar o impacto de reputação que pode afastar investidores e parceiros.

Além do Alibaba, outras empresas chinesas da lista já movem processos semelhantes. A WuXi AppTec, gigante da biotecnologia, ajuizou ação contra o governo americano em 11 de junho, argumentando que a medida “não tem base jurídica” e causa perdas irreparáveis.

Repercussões para o Brasil e a América Latina

O Brasil tem laços comerciais robustos tanto com a China quanto com os Estados Unidos. Em 2023, a China foi o principal parceiro comercial do Brasil, com um volume de **US$ 132 bilhões** em trocas, enquanto os EUA ficaram em segundo lugar, com **US$ 115 bilhões**. O Alibaba, em especial, atua como porta de entrada para milhares de empresas brasileiras que buscam vender produtos para o mercado chinês, seja por meio de sua plataforma de ecommerce **Tmall Global** ou do serviço de logística **Cainiao**.

A exclusão do Alibaba da lista de fornecedores do Pentágono pode gerar um efeito cascata: empresas norte‑americanas que dependem da infraestrutura do Alibaba para importar componentes ou distribuir bens no mercado asiático podem enfrentar atrasos e custos adicionais. Isso reverbera diretamente nos custos de produção de setores brasileiros como **agroindústria**, **moda** e **tecnologia**, que já lidam com margens apertadas.

Além disso, a medida pode acelerar a busca de empresas latino‑americanas por alternativas locais ou por outros players globais, como a **Amazon** ou a **Microsoft Azure**, que já vêm ampliando suas operações na região. Contudo, substituir a ampla rede de serviços do Alibaba – que inclui pagamentos, cloud computing e logística integrada – não será tarefa simples, o que pode resultar em perdas de competitividade para exportadores brasileiros frente a concorrentes de outras regiões.

O que o futuro reserva: possíveis cenários

### 1. Demanda judicial e negociação diplomática
Se o Alibaba conseguir provar que a acusação carece de fundamento, há precedente de remoção de empresas da Entity List, como ocorreu com a **Huawei** em 2021, quando o juiz federal norte‑americano anulou a restrição por falta de provas. Uma vitória judicial poderia abrir caminho para que outras companhias chinesas – inclusive as citadas na lista – também busquem reverter a designação.

### 2. Escalada de sanções econômicas
Caso o caso se arraste sem uma solução, é plausível que a administração americana amplie a lista ou imponha sanções adicionais, como restrições ao acesso a tecnologia de semicondutores. Isso poderia forçar o Alibaba a acelerar a “des‑globalização” de suas cadeias de suprimentos, buscando fornecedores mais próximos da China e reduzindo parcerias ocidentais.

### 3. Reconfiguração de alianças comerciais na América Latina
A tensão Sino‑EUA pode levar países da região a adotarem estratégias de **neutralidade estratégica**, procurando diversificar suas relações comerciais. O Brasil, já investindo em acordos como o **Mercosul‑União Europeia** e o **Acordo de Livre Comércio com a Coreia do Sul**, pode aproveitar a oportunidade para reforçar laços com parceiros que não estejam diretamente envolvidos nas disputas.

Conclusão

A decisão do Alibaba de levar o caso à justiça americana revela a complexidade crescente das intersecções entre tecnologia, defesa e política internacional. Enquanto os EUA ampliam sua vigilância sobre empresas chinesas, o Alibaba combate o risco de perder acesso a mercados críticos e de ver sua reputação abalada. Para o Brasil e demais nações latino‑americanas, o desdobrar desse embate pode significar ajustes na estratégia de exportação, na escolha de parceiros logísticos e até na formulação de políticas públicas de comércio exterior.

Em um mundo onde a “fusão militar‑civil” se tornou um argumento central nas disputas comerciais, o resultado deste processo pode definir não apenas o futuro de um dos maiores grupos de tecnologia da China, mas também o ritmo de integração econômica entre o Ocidente e a Ásia nas próximas décadas.

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Fontes: Este artigo foi elaborado com base em informações de veículos jornalísticos de referência nacionais e internacionais, incluindo Valor Econômico, Folha de S.Paulo, G1 e agências internacionais de notícias. O conteúdo foi editado e complementado pela equipe do BrasilAgoraOmega.

Autor

Marcos Oliveira

Analisa os principais acontecimentos do cenário mundial e seus reflexos na América Latina.

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